Esta peça para cravo, aqui interpretada ao piano por Sokolov, é toda ela uma ilustração musical do movimento e som desta ave. Comovente...
Franz Joseph Haydn (1732-1809)
No primeiro andamento desta famosa sinfonia de Haydn, em forma sonata, apenas o segundo grupo temático é evocativo, à semelhança da peça de Rameau, dos trejeitos "galináceos". No entanto, surpreende-me sempre o enorme contraste deste tema com o espírito trágico do resto do andamento.
Este é um dos meus concertos favoritos de Vivaldi. Talvez porque existe desta, algo inusitada, combinação de solistas nasce uma música inquieta e algo melancólica. E também porque, por razões que desconheço, sol menor é uma das tonalidades que me atrai mais.
Aqui proponho três olhares diferentes do primeiro andamento (Allegro).
A primeira versão em instrumentos de época:
Depois este vídeo de Rebecca Roudman interpretando com o seu violoncelo, os dois violoncelos solistas, o primeiro e o segundo violinos, a secção de violoncelos e o baixo, faltando apenas a parte da viola. Mesmo assim é possível apreciar com todo o pormenor o intrincado diálogo entre solistas e entre os solistas e a orquestra. Uma maravilha didáctica !
Por fim a não menos surpreendente intrepretação de Bobby MacFerrin que canta um dos violoncelos solistas enquanto Yo Yo Ma se encarrega do outro (a tocar claro!).
No meio das iguarias gastronómicas, das prendas e de outras tradições mais ou menos superficiais fui tentando encontrar o verdadeiro espírito de Natal. Sem tempo nem condições para publicar os "posts" prometidos relativos ao "Messias". Mas isso não quer dizer que não possa continuar a sua análise nestes primeiros dias de Janeiro onde ainda se celebram os Reis... Por agora uma interrupção no oratório para celebrar o novo ano. O ano passado terminei o velho ano e comecei o novo a desejar a Paz... ilustrando esse desejo talvez utópico com a não menos utópica Nona de Beethoven. E faria, se fosse preciso, a repetição do mesmo voto todos os anos e porque não com o mesmo monumento à fraternidade humana. Os votos de Paz mantém-se. Todavia este ano pus-me a pensar se não haveria música genuinamente e explicitamente alusiva ao novo ano. Há sempre aqueles concertos de ano novo da Filarmónica de Viena onde se tocam as valsas da família Strauss. Confesso que, exceptuando uma ou outra, soam-me todas ao mesmo. E ao fim de umas duas ou três já estou um pouco aborrecido. Mesmo apesar de alguns truques do maestro que, ora convida o público a acompanhar a orquestra com palmas (como uma nova secção de percursão da orquestra) ou então fazendo aparecer ramos de flores nos lugares mais insuspeitos... Não quero de modo nenhum colocar em causa a qualidade do género, até porque a referida dança foi alvo de extraordinárias estilizações por parte do génio de Chopin e até dramáticas transformações por Beethoven (vejam-se as variações Diabelli... um post prometido e não cumprido aquando da abordagem às variações Golberg). Ahh... e também há as Polkas ;)
A noite de Natal aproxima-se rapidamente e por aqui continuamos com o Messias. Hoje veremos a sua estrutura geral e abordaremos a sua introdução orquestral.
O Messias está dividido em 3 partes:
I. A profecia do Messias e o nascimento e vida de Jesus
II. A obtenção da salvação através do sofrimento de Jesus;
III. Um Hino de graças pela conquista da morte
A primeira parte é aquela que se relaciona verdadeiramente com o Advento. É sobre esta que incidiremos nesta época natalícia.
Na primeira metade da parte I profetiza-se a vinda do Messias
1) Sinfonia 2) Recitativo acompanhado (Tenor): "Comfort ye" 3) Aria (Tenor): "Ev´ry Valley" 4) Coro: "And the glory of the Lord" 5) Recitativo acompanhado (Barítono): "Thus saith the Lord" 6) Aria (contralto): "But who may abide" 7) Coro: "And He shall purify" 8) Recitativo (contralto): "Behold, a virgin shall conceive" 9) Aria (contralto) e coro: "O thou that tellest good tidings" 10) Recitativo acompanhado (barítono): "For behold, darkness shall cover the earth" 11) Aria (barítono): "The people that walked in darkness" 12) Coro "For unto us a Child is born"
A Sinfonia que abre o oratório trata-se de uma abertura "à francesa" com o seu ritmo majestoso da introdução sugerindo heroísmo ao qual a tonalidade de mi menor acentua o seu dramatismo. A segunda parte, em estilo de fuga "a tempo di giusto" como na secção rápida das aberturas francesas que foi posteriormente modificada por Haendel por um "allegro moderato". Esta lindíssima peça orquestral termina numa secção final comprimida em apenas três compassos. Em termos gerais podemos dizer que esta abertura dá o tom inicial do espírito do oratório: A humanidade está em estado de espectativa, inquieta e preocupada. A conclusão em mi menor contrasta com os acordes de mi maior do recitativo acompanhado que se segue: "Comfort ye"