domingo, 14 de fevereiro de 2010

Aventuras musicais...


Não são ainda as "Aventuras".
Prometidas estão, no entanto, algumas mudanças para este blog.
Assim tenha tempo para as pôr em prática.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Michel Petrucciani

Michel Petrucciani (Dez 28, 1962 – Jan 6, 1999)



sábado, 2 de janeiro de 2010

Bom Ano de 2010 !!!!

No meio das iguarias gastronómicas, das prendas e de outras tradições mais ou menos superficiais fui tentando encontrar o verdadeiro espírito de Natal. Sem tempo nem condições para publicar os "posts" prometidos relativos ao "Messias".
Mas isso não quer dizer que não possa continuar a sua análise nestes primeiros dias de Janeiro onde ainda se celebram os Reis...
Por agora uma interrupção no oratório para celebrar o novo ano.
O ano passado terminei o velho ano e comecei o novo a desejar a Paz... ilustrando esse desejo talvez utópico com a não menos utópica Nona de Beethoven.
E faria, se fosse preciso, a repetição do mesmo voto todos os anos e porque não com o mesmo monumento à fraternidade humana.
Os votos de Paz mantém-se. Todavia este ano pus-me a pensar se não haveria música genuinamente e explicitamente alusiva ao novo ano.
Há sempre aqueles concertos de ano novo da Filarmónica de Viena onde se tocam as valsas da família Strauss. Confesso que, exceptuando uma ou outra, soam-me todas ao mesmo. E ao fim de umas duas ou três já estou um pouco aborrecido. Mesmo apesar de alguns truques do maestro que, ora convida o público a acompanhar a orquestra com palmas (como uma nova secção de percursão da orquestra) ou então fazendo aparecer ramos de flores nos lugares mais insuspeitos...
Não quero de modo nenhum colocar em causa a qualidade do género, até porque a referida dança foi alvo de extraordinárias estilizações por parte do génio de Chopin e até dramáticas transformações por Beethoven (vejam-se as variações Diabelli... um post prometido e não cumprido aquando da abordagem às variações Golberg).
Ahh... e também há as Polkas ;)




BOM ANO DE 2010 !!!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Messias - Estrutura

A noite de Natal aproxima-se rapidamente e por aqui continuamos com o Messias.
Hoje veremos a sua estrutura geral e abordaremos a sua introdução orquestral.

O Messias está dividido em 3 partes:

I. A profecia do Messias e o nascimento e vida de Jesus

II. A obtenção da salvação através do sofrimento de Jesus;

III. Um Hino de graças pela conquista da morte

A primeira parte é aquela que se relaciona verdadeiramente com o Advento.
É sobre esta que incidiremos nesta época natalícia.

Na primeira metade da parte I profetiza-se a vinda do Messias

1) Sinfonia
2) Recitativo acompanhado (Tenor): "Comfort ye"
3) Aria (Tenor): "Ev´ry Valley"
4) Coro: "And the glory of the Lord"
5) Recitativo acompanhado (Barítono): "Thus saith the Lord"
6) Aria (contralto): "But who may abide"
7) Coro: "And He shall purify"
8) Recitativo (contralto): "Behold, a virgin shall conceive"
9) Aria (contralto) e coro: "O thou that tellest good tidings"
10) Recitativo acompanhado (barítono): "For behold, darkness shall cover the earth"
11) Aria (barítono): "The people that walked in darkness"
12) Coro "For unto us a Child is born"


A Sinfonia que abre o oratório trata-se de uma abertura "à francesa" com o seu ritmo majestoso da introdução sugerindo heroísmo ao qual a tonalidade de mi menor acentua o seu dramatismo.
A segunda parte, em estilo de fuga "a tempo di giusto" como na secção rápida das aberturas francesas que foi posteriormente modificada por Haendel por um "allegro moderato".
Esta lindíssima peça orquestral termina numa secção final comprimida em apenas três compassos.
Em termos gerais podemos dizer que esta abertura dá o tom inicial do espírito do oratório: A humanidade está em estado de espectativa, inquieta e preocupada.
A conclusão em mi menor contrasta com os acordes de mi maior do recitativo acompanhado que se segue: "Comfort ye"








sábado, 19 de dezembro de 2009

"O Messias" - versões

Haendel demorou cerca de 21 dias a compôr o "Messias", ou seja entre 22 de Agosto e 12 de Setembro de 1741, como consta no manuscrito autógrafo. Para a orquestração necessitou de mais dois dias !!!
A primeira apresentação teve lugar no dia 13 de Abril de 1742 em Dublin (ou seja, nem sequer foi no Natal !!).


Apenas em 1750 ocorreu a primeira interpretação numa igreja: a capela do "Foundling Hospital" (Hospital para crianças abandonadas). Nesta ocasião a interpretação foi conduzida pelo próprio compositor.
Ou seja, apesar de ser uma obra sacra, a maioria das apresentações iniciais ocorreram em salas de concerto e edifícios seculares.
A variedade dos espaços e condições acústicas explica as várias versões do oratório que Haendel escreveu. Estas diferenças existem sobretudo ao nível das dimensões da orquestra e coros mas também na atribuição das árias a diferentes registos vocais.
Vejamos então alguns exemplos:

Na primeira apresentação (a chamada versão de Dublin) o coro era constituído por oito cantores por cada parte vocal totalizando 32 elementos sendo a orquestra de dimensões semelhantes.

Esta é uma gravação recente da versão de Dublin (1742)
http://www.amazon.com/Messiah-George-Frideric-Handel-Version/dp/B000K2Q7PK/ref=sr_1_2?ie=UTF8&s=music&qid=1261186580&sr=8-2-catcorr


Na maior parte das versões a orquestra mantém as dimensões desta esta versão inicial:

6-8 primeiros violinos;
6-8 segundos violinos;
4-5 violas;
2 violoncelos;
2 contrabaixos;
1 cravo ou orgão para baixo contínuo;
2 trompetes
2 tímpanos.

Em algumas situações Haendel acrescentava oboés e fagotes para aumentar o colorido e poder orquestral nos tutti.

Haendel dirigiu também no Covent Garden e no King´s theatre em 1743 e 1745.
A partir de 1749 começou a fazer apresentações anuais fazendo diversas alterações e revisões. Em Abril e Maio de 1751 introduziu vozes de crianças no coro (no registo soprano) e um solista contratenor em vez do contralto.


Por exemplo esta é a gravação da NAXUS de uma versão de 1751.
http://www.amazon.co.uk/Handel-Messiah-version-Eamon-Dougan/dp/B000I2IUW0


Após a morte de Haendel começaram a usar-se efectivos orquestrais muito maiores, e até em alguns casos colossais como na interpretação de 1784 na Abadia de Westminster em que o coro tinha 300 elementos e a orquestra 250 (95 violinos; 26 violas; 21 violoncelos; 15 contrabaixos; 26 oboés; 28 fagotes; 12 trompas; 12 trompetes; 6 trombones. O mais incrível é que as partes solistas eram cantadas por mais do que um elemento. Também não se sabe que partes eram tocadas pelos trombones e trompas.

Outros exemplos: Berlim 1781 (185 músicos); Leipzig 1781 (coro com 90 elementos e 127 músicos na orquestra).
O andamento da obra também era adaptado à acústica das igrejas (ou seja umas vezes uma interpretação mais rápida, outra mais lenta).
Também é conhecida uma reorquestração de Mozart para uma versão alemã do Messias que durante muito tempo foi a versão mais ouvida (a análise desta versão é muito interessante e daria para um outro post). http://www.classical.net/music/comp.lst/works/handel/messiah/mozart.php
Fonte. http://www.amazon.com/dp/B00000E4CH?tag=classicalnet&link_code=as3 creativeASIN=B00000E4CH&creative=373489&camp=211189


Actualmente estão muito em voga as "versões de época" em que se tenta reproduzir os efectivos utilizados no tempo de Haendel.
Esta questão das versões é muito importante quando se trata de avaliar as gravações que estão disponíveis.
É um exercício interessante percorrer na Amazon os exemplos musicais das várias versões e perceber as diferenças.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Concerto de Natal - "O Messias" de Haendel

Foto: http://www.mlive.com/entertainment/grand-rapids/index.ssf/2008/12/calvin_colleges_intimate_venue.html


A propósito de um concerto de Natal a que fui assistir recentemente onde foram interpretados excertos do "Messias" de Haendel, decidi procurar alguma informação sobre esta obra, que já conhecia em CD e que costumo ouvir em casa por esta altura.
Assim, se tiver tempo, coisa rara neste ano que agora finda, tentarei ir colocando aqui alguma dessa informação para assim, à minha maneira, associar o blog à quadra de Natal.

O "Messias" é um oratório em três partes para coro, orquestra e quatro solistas (barítono, tenor, contralto e soprano) composto por Georg Friedrich Haendel (n. Halle, Alemanha 23 Fev 1685; m. Londres 14 Abril 1759).



Antes de mais, umas palavras sobre o género oratório. É um género musical para coro, orquestra e solistas sobre uma temática, nem sempre, mas frequentemente religiosa. Sendo musicalmente semelhante a uma ópera não é todavia representada com cenários, guarda-roupa ou encenação, mas interpretada na forma de um concerto estas características, aliadas à sua extensão fazem com que este seja um género musical pouco popular hoje em dia.
Quando muito popularizam-se alguns excertos mais famosos de que é exemplo coro "Haleluia" que encerra a segunda parte do "Messias".
Por isso audição de um oratório deve, em minha opinião, ser acompanhado pela leitura do texto que está a ser cantado. Desta forma, a beleza que já existe na sua música assume maior dimensão pela compreensão plena do seu sentido. No caso do "Messias" até nem é muito difícil uma vez que está em língua inglesa.
Há também aqui um aspecto particular característico dos oratórios do período barroco e também, em certa medida nas obras de períodos posteriores: A música procura muitas vezes ilustrar o texto, por vezes até de forma algo ingénua e simplista mas que resulta plenamente no impacto que causa no ouvinte. E eu arriscaria até a considerar um nível inconsciente de compreensão se aceitarmos o facto de não haver muitas vezes a compreensão do texto e assim do seu sentido.
Alguns artifícios muito simples e até algo banais como a utilização de melodias ascendentes para ilustrar a Ascenção ou a Ressureição ou ainda a utilização do registo agudo ao cantar "Glória a Deus nas alturas" contrastando imediatamente a seguir com o registo grave em "Paz na terra aos homens" e por aí fora...
O Messias está cheio destes efeitos simples mas também os possui mais elaborados como a maravilhosa ilustração da orquestra ao bater das asas dos anjos e o uso mais subtil mas não menos importante da harmonia.
E claro que tem maravilhosas árias para os quatro solistas mas para mim o verdadeiro poder está nos seus coros, imaginativos, directos, surpreendentes.
Enfim, há algo no "Messias" que fala directamente no coração dos Homens. Será isto explicável ?? Eu penso que não e aí está a sua magia.


Para ilustrar este post com música, escolhi precisamente o seu coro mais conhecido não sendo todavia o meu favorito:



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Voltando à música clássica com... Ópera !!

É um facto que tenho observado: ou se odeia ou se ama e raramente alguém fica indiferente.
Eu próprio odiava o género, por várias razões objectivas: o exagero, a falta de naturalidade ou a teatralidade excessiva, a história, muitas vezes inverosímil, não entendia os diálogos e, talvez a principal a sua duração excessiva. Só ouvia mesmo aqueles CDs com algumas das árias mais importantes, ou então as aberturas.

Para além das razões anteriores, há também outro aspecto que julgo ser importante nas dificuldades observadas na sua apreciação:
É que as óperas são obras para serem representadas num palco, e como tal associam o carácter musical a uma forte componente visual e interpretativa que nunca poderá ser transmitida por um CD de música.

Na realidade, tenho de confessar que odiava algo que nunca tinha visto na sua plenitude (visual e auditivamente) e muito menos na sua totalidade (apenas conhecia partes de óperas). Portanto um juízo bem injusto!!!

Por esta razão fui, há uns anos atrás, assistir a duas óperas ao vivo:



"La Boheme" de Puccini


















"Flauta Mágica" de Mozart

















Comecei desconfiado e saí de lá admirado. Gostei muito e, curiosamente não dei pelo tempo passar, mesmo sem perceber muitos dos diálogos... apenas com a ajuda de um resumo do enredo que lia no início de cada acto.

Depois da minha curiosidade ter sido despertada por estas experiências bem sucedidas, prometi a mim mesmo conhecer esse enorme corpo cultural tão desprezado entre nós.
Comecei a adquirir DVDs com óperas e claro a assistir:


As de Mozart:

O Singspiel "A Flauta Mágica" (que já tinha assistido ao vivo), com os seus diálogos falados em alemão, consegue reunir vários níveis de significação podendo ser apreciada por crianças ou entendida num nível mais profundo pela profusão de simbologia maçónica. Uma ópera para o povo e para os eruditos da época. Ambos saem plenamente satisfeitos cantarolando melodias que ficam facilmente no ouvido ou então a reflectir sobre o papel do homem no mundo. (falta-me conhecer o "Rapto do Serralho", o outro singspiel.

As óperas italianas:

"Don Giovanni" ópera negra que combina música profundamente tenebrosa com a mais vibrante alegria de viver.

As "Bodas de Fígaro" (minha preferida) com os seu humor contagiante e os seus irresistíveis agrupamentos vocais, entusiasmante !!!

"Cosi Fan tute", para mim um pouco apagada mas mantendo o modelo de equilíbrio clássico, belas melodias e o humor palaciano (aceito que precisarei de um pouco mais de tempo para apreciar devidamente).


"Fidelio" de Beethoven é sem dúvida um hino à liberdade.
De escrita fortemente sinfónica generosa nos ideais e nas formas
Parece por vezes que a música é um raio de luz que irrompe através da sua teatralidade um pouco cinzenta (espero não estar a cometer uma
injustiça acho que aqui mas a sua música está muitos níveis acima do libretto e dos diálogos).





As de Puccini:
"Tosca", "Madame Butterfly", "La Boheme" (já referida), "Turandot". Um mundo de heroínas trágicas, sacrificando-se por amor e embaladas por um música tão bela, tão maravilhosamente orquestrada embora por vezes um pouco melodramática. Já "Turandot", infelizmente inacabada, mas com uma sonoridade tão moderna (para mim uma verdadeira ópera do século XX).





...e logo me aventurei nas de Wagner
(essas que eu considerava inacreditável que alguém
conseguisse assistir/ouvir... horas e horas).
Bem, só quem se disponha a ouvir com atenção e tempo poderá começar a usufruir do enorme prazer em seguir uma trama tão maravilhosamente tecida de temas musicais, sugestões tonais, cores orquestrais. E tudo isto sem parar !!! um fluxo ininterrupto de música.
São todas assim: "Parsifal" (épica !), a não menos épica tetralogia do "Anel dos Nibelungos" ("O Ouro do Reno", "A Valquíria", "Siegfried "e o "Crepúsculo dos Deuses"), cada uma delas um prova de resistência para músicos, cantores e público. Também "Tristão e Isolda" em que toda a música parece glorificar o amor. E aquela glorificação da cultura germânica, combinada com um humor irresistível e uma abertura orquestral de monumental beleza que são os "Mestres Cantores de Nurmberga". Faltam-me ainda conhecer mais algumas como "O Holandês Voador", "Tannhauser", "Lohergrin",...


E só ultimamente, por razões que não consigo explicar, comecei a abordar as óperas de Verdi.
Até agora apenas o "Rigolleto".
Concentrei-me mais em aspectos do enredo do que propriamente na música. O que até me parece estranho.
Fascinou-me particularmente a figura do bobo Rigolleto, sobre o qual a nossa opinião oscila entre o desprezo, horror, a pena e a admiração. A profundidade desta personagem opõe-se fortemente à excessiva superficialidade da personagem do Duque de Mântua. Quanto à música, terei que ouvir mais, para poder formular opinião.




A viagem ainda agora começou e ainda há tanto para conhecer. Por exemplo, pretendo explorar as primeiras óperas como o "Orfeu" de Monteverdi, mas também o "Orfeu" de Gluck. E depois seguir com outras famosas como "Carmen" de Bizet, "Fasto" e os "Troianos" de Berlioz. E muitas mais, Haja tempo!!.


Uma última nota: Só depois de muito tempo é que comecei a perceber a sua beleza e principalmente a sua ligação, quase imperceptível à música orquestral/sinfónica, este sim um género que sempre apreciei.
Estas relações são tão intensas como quase imperceptíveis para o ouvinte pouco atento.
Mas isso ficará certamente para outro post.