Durante muito tempo os poucos CDs de música para órgão de que dispunha estavam a ganhar poeira na estante.
Confesso que a sonoridade do órgão não me atraía especialmente. Aquele som cheio que muitas vezes abafava as linhas melódicas. Por alguma razão era incapaz de seguir as diversas vozes e por isso não conseguia compreender a música.
Apesar de ser um admirador de Bach, os os prelúdios, fugas e tocatas para órgão não passavam para mim de meros números do catálogo BWV. Ainda assim, as trio sonatas conseguiam ser a excepção (que maravilha !!!) mas apenas as gravações mais límpidas... Ah... e claro a famosa tocata e fuga em ré menor.
E eis que subitamente vou de novo à estante recuperar aquele CD hiperpremiado de Olivier Vernet (pelo qual até dei um bom dinheiro há uns anos) e sem que nada o fizesse prever comecei a sentir uma imensa emoção com a grandiosidade daquela música. Algo indefinível tocou-me fundo na alma e um mundo novo de música se abriu para mim.
Agora tenho que arranjar tempo para explorar estes tesouros. Vou começar pelo óbvio (J. S. Bach). Espero voltar em breve para contar a experiência...
Uma pequena nota: Esta foi a minha ausência mais prolongada do blog, por várias razões: pessoais, profissionais... mas mesmo quando foi possível dispôr de algum tempo para retomar os posts, assaltava-me uma certa dúvida sobre o rumo que este espaço deveria seguir no futuro. Até porque apesar da ausência, ele foi tendo um número razoável de visitas. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão, se calhar o melhor é ir avançando e deixar que o blog se construa por si mesmo, com os seus defeitos e virtudes.
"All you have to do is listen - music from the inside out"
Se me é permitido recomendar um livro... Esta é uma verdadeira jóia deseja aprender a apreciar melhor as grandes obras da música.
No seu prefácio, o autor explica que a principal motivação para escrever este livro foi o facto de, desde muito cedo na sua carreira de professor de música e maestro, ter percebido a dificuldade que muitas pessoas tinham em seguir uma obra musical e que essa dificuldade não dependia do facto de saberem música ou não, mas de perceberem como se estrutura o discurso musical (o que não é exactamente a mesma coisa !). Assim não conseguiam acompanhar os eventos que se sucediam em tempo real tornando a audição (que deveria ser uma experiência empolgante) num exercício penoso e entediante. Partilho de muitas suas das ideias sobre como se deve apreciar música mais exigente para o intelecto e a forma como essa atitude activa pode multiplicar o prazer da audição.
Resumindo: para ouvir com atenção e seguir a música é necessário que saber quais o elementos que constituem o discurso musical (por analogia à linguagem escrita com letras, palavras, frases, parágrafos e vários sinais de pontuação); assim como a forma como estes elementos se relacionam entre si formando a estrutura da obra (à semelhança com o que acontece com a organização que percebemos dentro de cada capítulo de um livro e a relação que os capítulos têm entre si). Por fim a percepção dos dispositivos utilizados pelo compositor para criar espectativas no ouvinte, frustrar essa mesmas espectativas ou então confirmá-las e ainda conferir unidade à obra ou proporcionar-lhe um final convincente. Interessante é o facto destes princípios poderem ser aplicados a praticamente todos os períodos da história da música (barroco, classicismo, romantismo e até música do século XX).
Ao contrário do que possa parecer, este não é um livro teórico, pelo contrário aqui podem encontrar-se exemplos concretos que permitem ao leitor ir melhorando a sua capacidade perceptiva.
O livro dirige-se, portanto a quem está pouco habituado a este universo da música erudita e resolve um problema aparentemente insolúvel: Como apresentar num livro exemplos de trechos musicais (leia-se notas musicais...) que possam ser "lidos" por quem não sabe ler música ??? A solução encontrada é extraordinariamente simples: gravam-se os trechos e depois colocam-se num site (cujo endereço vem no livro). O leitor pode ouvir os exemplos on-line ou então fazer o download para o seu computador para mais tarde acompanhar a sua leitura.
Mesmo para quem já tem alguma formação musical, este livro encerra algumas surpresas. Há sempre novas abordagens o que permite descobrir aspectos novos em obras que se julgava conhecer desde sempre !!!
Só para abrir o apetite, aqui fica o índice:
PRELUDE: All You Have to Do Is Listen
1. Does Music Have a Plot? 2. Beginnings Are Everything 3. Repetition 4. Comma, Semicolon, Period: The Meaning of Cadence 5. Compared-to-What Listening 6. Forward-Backward Listening 7. The Challenge of Memory 8. Form Is a Verb 9. From Dancing to Listening:Minuets and Scherzos 10. Sonata Form: A Story in Three Acts 11. Passacaglia,Chaconne, and Fugue:Out of One,Many 12. How Could This Come from That?: The Art of Theme and Variations 13. The Individual versus the Community: The Concerto 14. Finished versus Complete
POSTLUDE: The Role of the Performer
Para quando uma tradução para português ? Ou será que não há mercado para este tipo de livros ?
O Freunde, nicht diese Töne, sondern lasst uns angenehmere anstimmen, und freundenvollere.
AN DIE FREUDE - FREDERICH SCHILLER
BARITONE, QUARTETT UN KEHRREIM
Freude, schöner Götterfunken, Tochter aus Elysium, wir betreten feuertrunken, Himmlische, dein Heiligtum! Deine Zauber binden wieder, was die Mode streng geteilt: alle Menschen werden Brüder, wo dein snafter Flügel weilt.
Wem der grosse Wurf gelungen, eines Freundes Freund zu sein, wer ein holdes Weib errungen, mische seinen Jubel ein! Ja, wer auch nur eine Seele sein nennt auf dem Erdenrund! Und wer's nie gekonnt, der stehle weinend sich aus diesem Bund!
Freude trinken alle Wesen an den Brüsten der Natur, alle Guten, alle Bösen folgen ihrer Rosenspur. Küsse gab sie uns und Reben, einen Freund, geprüft im Tod; Wollust ward dem Wurm gegeben, und der Cherub steht vor Gott.
TENOR ALLEINFLUG UND KEHRREIM
Froh, wie seine Sonnen fliegen durch des Himmels prächt'gen Plan, laufet, Brüder, eure Bahn, freudig, wie ein Held zum Siegen!
KEHRREIM
Freude, schöner Götterfunken, Tochter aus Elysium, wir betreten feuertrunken, Himmlische, dein Heiligtum! Deine Zauber binden wieder, was die Mode streng geteilt: alle Menschen werden Brüder, wo dein snafter Flügel weilt.
Seid umschlungen, Millionen! Diesen Kuss der ganzen Welt! Brüder, überm Sternenzelt muss ein lieber Vater wohnen.
Ahnest du den Schöpfer, Welt? Such ihn überm Sternenzelt! Über Sternen muss er wohnen.
Freude, schöner Götterfunken, Tochter aus Elysium, wir betreten feuertrunken, Himmlische, dein Heiligtum! Seid umschlungen, Millionen! Diesen Kuss der ganzen Welt! Ihr stürzt nieder, Millionen? Ahnest du den Schöpfer, Welt? Such ihn überm Sternenzelt! Brüder, überm Sternenzelt muss ein lieber Vater wohnen!
Freude, Tochter aus Elysium, deine Zauber binden wieder, was die Mode streng geteilt! Alle Menschen werden Brüder, wo dein sanfter Flügel Weilt.
Seid umschlungen, Millionen! Diesen Kuss der ganzen Welt! Brüder, überm Sternenzelt muss ein lieber Vater wohnen.
Freude, schöner Götterfunken, Tochter aus Elysium, Freude, schöner Götterfunken!
BARITONE
Oh friends, not these tones! Let us raise our voices in more pleasing and more joyful sounds!
ODE TO JOY (Friedrich Schiller)
BARITONE, QUARTET, AND CHORUS
Joy, beautiful spark of the gods, Daughter of Elysium, We enter fire imbibed, Heavenly, thy sanctuary.
Thy magic reunites those Whom stern custom has parted; All men will become brothers Under thy gentle wing.
May he who has had the fortune To gain a true friend And he who has won a noble wife Join in our jubilation!
Yes, even if he calls but one soul His own in all the world. But he who has failed in this Must steal away alone and in tears.
All the world's creatures Draw joy from nature's breast; Both the good and the evil Follow her rose-strewn path.
She gave us kisses and wine And a friend loyal unto death; She gave lust for life to the lowliest, And the Cherub stands before God.
TENOR SOLO AND CHORUS
Joyously, as his suns speed Through Heaven's glorious order, Hasten, Brothers, on your way, Exulting as a knight in victory.
CHORUS
Joy, beautiful spark of the gods, Daughter of Elysium, We enter fire imbibed, Heavenly, thy sanctuary.
Be embraced, Millions! This kiss for all the world! Brothers!, above the starry canopy A loving father must dwell.
Can you sense the Creator, world? Seek him above the starry canopy. Above the stars He must dwell.
Be embraced, Millions! This kiss for all the world! Brothers!, above the starry canopy A loving father must dwell.
Can you sense the Creator, world? Seek him above the starry canopy. Above the stars He must dwell.
Joy, beautiful spark of the gods, Daughter of Elysium, We enter fire imbibed, Heavenly, thy sanctuary.
Be embraced, Millions! This kiss for all the world! Brothers!, above the starry canopy A loving father must dwell.
Can you sense the Creator, world? Seek him above the starry canopy. Above the stars He must dwell.
Be embraced, Millions! This kiss for all the world! Brothers!, above the starry canopy A loving father must dwell.
Can you sense the Creator, world? Seek him above the starry canopy. Above the stars He must dwell.
Joy, daughter of Elysium Thy magic reunites those Whom stern custom has parted; All men will become brothers Under thy gentle wing.
Be embraced, Millions! This kiss for all the world! Brothers!, above the starry canopy A loving father must dwell.
Joy, beautiful spark of Gods!, Daughter of Elysium, Joy, beatiful spark of Gods!.
Dois grandes mestres abordam a forma "variação"...
... e nascem dois monumentos para a humanidade:
As Variações Golberg BWV 988 e as Variações Diabelli op. 120.
Duas obras-primas, separadas por cem anos que procuram responder a várias questões:
O que é o tema ? O que fazer com ele ? qual a relação das variações com o tema que as origina ? Qual a relação das variações entre si ? como se mantém a unidade da obra
Existe algo de filosófico em tudo isto, para além de todas as análises harmónicas e formais que se possam fazer.
Mas comecemos pelas questões formais...
Hoje refletiremos sobre as Variações GolbergBWV 988 de J.S. Bach
Bach, apaixonado por números agrupa as 30 variações em dez grupos de três. Cada "trindade" é composta por uma variação ao estilo livre, uma virtuosística e um stretto em canones que vão do uníssono ao intervalo de nona (com algumas excepções pelo meio). Mas o que mais impressiona o ouvinte não avisado é a aparente independência das variações em relação ao tema: a maravilhosa ária que inicia e finaliza o conjunto.
Vejamos o esquema geral da obra:
Ouçamos a lindíssima ária, aqui interpretada por Daniel Barenboim .
Como se instaura a unidade do conjunto ?
Esta unidade é real, sente-se durante a audição e é aparentemente inexplicável porque o tema parece não ter nada a ver com as variações. Senão ouçamos aqui a interpretação lendária de Gould da ária e das primeiras sete variações...
Não reconhecemos no desenho das variações fragmentos melódicos da ária porque este parentesco não é melódico mas sim harmónico... daí a sua imperceptibilidade, a pedir um ouvido mais "fino" e mais treinado. Em todas temos a mesma poderosa progressão harmónica que vai da tónica (sol) à dominante (ré) regressando novamente à tónica.
E tudo continua assim até à "variação" nº30. Quodlibet, derivada da canção popular Ich bin so lang nicht bey Dir gewest diferente de tudo o resto mas miraculosamente integrada no conjunto.
Variações 28 - 30 + ária a finalizar, por Pierre Hantai (aqui naquela rudeza sonora do cravo)
Lembro-me de ter assistido a este concerto no canal Muzzik e de ter ficado pregado ao ecrã quando Mitsuko Uchida escolheu para o encore o segundo andamento da sonata em dó maior K. 545. Estranha escolha !!, pensei... A sonata com o cognome de "sonata facile" para um momento em que o interprete espera a ser aclamado pelo seu virtuosismo. Escolher esta simples peça ?
Esta sonata para piano, com o cognome de "sonata fácil", na realidade nada tem de fácil, como podem constatar aqueles que como eu, tentam em vão martelar algumas teclas brancas e pretas do piano para tentar extrair algo que se assemelhe a uma obra de arte, tal como o divino Mozart a concebeu para o pianoforte.
Eu diria que, quando muito, esta seria a sonata menos difícil embora eu não esteja a em condições de garantir a veracidade desta afirmação uma vez que nem sequer tentei tocar as outras (imagino simplesmente !).
É certo que o piano foi durante o séc. XIX aquele instrumento democrático que todos poderiam tocar. Vá lá... algumas peças criadas especificamente para amadores. E poucos poderiam aventurar-se nas peças reconhecidamente para virtuoses.
Actualmente, movidos por aquela febre bem intencionada de superação individual, muitos se lançam em aventuras, talvez encorajados por alguns cognomes mais ou menos enganadores... como o desta sonata.
O resultado é um verdadeiro suplício de audição para os navegadores do YOUTUBE que encontram na mesma página interpretações sublimes ao lado de implacáveis golpes de martelo nestas esculturas de cristal sonoro.
Embora eu continue a tentar tocar estas peças na intimidade da minha sala de estar, espero ter a lucidez suficiente para me manter no papel do curioso maravilhado com a beleza melódica dos seus temas e reservar a sua materialização sonora para os virtuoses que conseguem encontrar o equilíbrio perfeito dos pianos e pianíssimos, legattos e stacattos entre outros recursos expressivos que são a alma destas obras delicadíssimas.
Ainda bem que reencontrei esta gravação para poder partilhar convosco. Para mim continua a ser a referência deste andamento (ao lado de Alfred Braendel - na minha opinião o maior interprete vivo de Mozart). Faltam-me, no entanto, adjectivos para qualificar esta, de tão simples que soa e tão mágica... ouvi uma vez e nunca mais a esqueci....
Como deve ter reparado, caro leitor, tem sido difícil manter uma certa assiduidade no Organum. Quando o trabalho aperta apenas tenho tempo para postar umas "curtas literaturas" no Portalivros. Não é fast-food, apenas altíssima qualidade condensada em poucas linhas (modéstia a parte... embora os poemas não sejam meus). E acho que já fiz publicidade suficiente... Quanto ao post de hoje, apeteceu-me dar um salto de alguns séculos para regressar ao barroco. E isto a propósito de um concerto que tenho estado a ouvir nos últimos dias... uma das famosas obras de Bach: O concerto para quatro cravos, o BWV 1065. Estranho ! Quatro cravos, quatro solistas ? Comovente, inocente e belo, incrivelmente belo… E a sua ligação ao padre ruivo: Vivaldi !
Por volta de 1730, Bach tinha transcrito uma série de desassete concertos para tecla com um objectivo puramente pedagógico. Com a sua honestidade, anotava a origem da versão No caso deste concerto, Bach anotou o subtítulo "segundo Vivaldi"
"Pelo menos no andamento lento, a obra é assombrosa, divagando, sem tema, num nevoeiro sonoro sem equivalente. Bach, sempre atento a audácias profícuas, não se tinha enganado e parece surpreendente que nenhum comentador tenha tido a ideia de determinar aquilo que, num objecto sonoro tão estranho, provém deste "Vivaldi" desconhecido e aquilo que pertencerá ao próprio Bach. Até final do séc XVIII, (...) dicionários eminentes, eruditas histórias da música (Gerber, Orloff) limitaram-se a repetir as mesmas historietas, reduzindo a memória de Vivaldi à de um grande virtuoso um pouco excessivo. Nada melhor para precipitar o esquecimento da sua música. Dar-se-iam conta de que nada na época, nem em Bach (cujo temperamento conduzia em direcção a uma música inteiramente diferente!) nem em nenhum outro compositor, tinha qualquer semelhança com esse andamento espectral do Concerto para quatro cravos? Não, limitaram-se a concluir que partindo dum esboço insignificante, se estava perante uma experiência bizarra dum Kantor fatigado (…) Mas ninguém parece ter-se preocupado muito, talvez porque à semelhança dos Contos de Grimm ou da catedral de Colónia, Bach não podia ser senão inteiramente germânico: não tinha ele composto, quase simultaneamente, a não menos visionária Fantasia cromática ? Pelo menos aí, aqueles que iriam preparar a chegada de Wagner podiam reconhecer-se !" - Marcel Marnat
Sobre este belíssimo texto apetece-me acrescentar que muita da história da música ocidental dos periodos Barroco e Clássico (pelo menos !!!) viveu dessa tensão entre a música italiana e a germânica. Bach soube conciliar estes dois "mundos" de forma admirável.
Voltando ao concerto, é em 1850 que um musicólogo alemão descobre que o concerto para quatro cravos é uma transcrição do concerto nº10 do opus III de Vivaldi.
Nessa época o compositor veneziano era pouco conhecido e respeitado e por isso a descoberta foi desvalorizada e até esquecida. Havendo até quem procurasse inverter a verdade dos factos ao afirmar que teria sido o Padre Ruivo a transcrever a obra do Mestre !!! O que Bach diria se fosse vivo… E a música de Vivaldi permaneceu esquecida sob a poeira dos arquivos…
Em 1905 ! Arnold Schering descobriu e estudou na Biblioteca do estado de Saxe vários manuscritos de Vivaldi e irá restituir ao veneziano, na sua "História Fundamental do Concerto" (Geschichte des Instrumentalkonzerts), o estatuto que lhe pertence, tanto no plano formal como no da invenção instrumental.
Apraz-me dizer que a maior injustiça que se pode fazer a Vivaldi é não ouvir a sua música (ainda hoje, muito da sua obra está ainda por gravar!). Nesse aspecto nada como a união de dois génios para comemorar a verdadeira grande música...
Comecemos então pela transcrição de Bach, aqui com um conjunto de interpretes de luxo: Argerich, Kissin, Levine e Pletnev.
Continuamos depois com a versão original de Vivaldi:
O concerto para quatro violinos nº 10 op. III
Nesta interpretação intervêm Pinchas Zucherman, Ivry Gitlis, Isaac Stern, Ide Haendel, Shlomo Mintz, Daniel Benyanini e a Israel Philharmonic Orchestra dirigida por Zubin Metha.
Ainda outro exemplo da tonalidade de ré menor. Podemos descer ainda mais fundo no desespero humano até ao conformismo...
Edvard Munch (1863-1944)
Der Tod und das Madchen (A morte e a donzela) o lied (canção) de Schubert deu o nome a um célebre e belíssimo quarteto de cordas, o número 14 op. posth D.810. O tema desta canção é retomado no segundo andamento (Andante) do quarteto, daí o seu nome.
Apresento também aqui o primeiro andamento, pela sua beleza...
1ºAndamento
(Alban Berg Quartet) 2º Andamento
(Alban Berg Quartet) O lied:
(Regine Crepin 1927-2007)
Das Mädchen (A donzela):
Vorüber! Ach, vorüber! (Vai-te embora ! Oh Vai-te embora ! ) Geh, wilder Knochenmann! (Vai-te, cruel esqueleto ! ) Ich bin noch jung, geh Lieber! (Ainda sou nova, vai !) Und rühre mich nicht an. (E não me toques.)
Der Tod (A Morte):
Gib deine Hand, du schön und zart Gebild! (Dá-me a tua mão, bela e delicada forma!) Bin Freund, und komme nicht, zu strafen. (Sou uma amiga, e não vim para te castigar. ) Sei gutes Muts! ich bin nicht wild, (Alegra-te! Eu não sou cruel, ) Sollst sanft in meinen Armen schlafen! (Dormirás docemente nos meus braços! )